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Aumento das rendas deixa jovens sem apoio

O recente aumento das rendas tornou a candidatura dos jovens ao programa de apoio Porta 65 uma tarefa difícil. O preço médio das rendas em Lisboa chega a ser o dobro da renda máxima admitida pelo programa.

Nesta edição, o Porta 65 obteve quase seis mil candidaturas. São quatro chamadas por ano para que jovens entre 18 e 30 anos peçam apoio ao arrendamento. Acontece que assim como há um limite para a idade, recentemente alargado para os 35 anos, há também um limite para o valor mensal da renda.

O Diário de Notícias entrevistou uma série de jovens que foram chumbados no concurso por tal motivo. Entre eles, Joana Nunes, de 26 anos, arrenda um T1 no Porto por 400 euros. Ela, assim como 63% dos candidatos, não foi aprovada para receber o benefício.

Como o processo funciona por pontuação, Joana já sabe que não conseguirá ficar dentro da margem, mesmo sem ter condições ideais de sustentar sozinha um apartamento. “Já tenho pouca esperança. Dizem sempre que há pessoas com uma pontuação mais alta do que a nossa”, lamentou ao jornal.

Já Sofia Cordeiro, militar da Marinha de 28 anos, concorre ao Porta 65 pela terceira vez, tendo já garantido o apoio nos últimos dois anos. A promessa de arrendamento de um T2 numa zona de reabilitação urbana em Almada e os rendimentos baixos dos pais deram-lhe os pontos necessários para conseguir, na primeira fase, um apoio de 70% para uma renda de 400 euros.

Entretanto depois do aumento das rendas em 100 euros, o cenário mudou. “Não estou muito confiante. Há mais publicidade ao programa e mais gente a concorrer. Se não conseguir o apoio vou ter de sair do apartamento e procurar um quarto”, explicou. A renda máxima para um T2 ou T3 em Lisboa é de 730 euros. No Porto, o limite desce para 561 euros mensais.

De acordo com a Deco, estes preços são desfasados e não condizem com a realidade do mercado imobiliário. A Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor consultou diversas plataformas de arrendamento pelo país e concluiu que as casas elegíveis são mesmo raras.

Em Lisboa, por exemplo, de 500 T2 pesquisados, apenas 52 cumprem os requisitos do Porta 65, ou seja, pouco mais de 10%. A renda média destas habitações ascende a 1233 euros, quase o dobro do limite definido pelo programa de apoio. No Porto, a mesma pesquisa resultou em 23% dos imóveis compatíveis com o programa.

“De uma forma geral, e não apenas em Lisboa e no Porto, verificamos que a renda máxima admitida está desencontrada da realidade e a oferta de casas abaixo desse limite é muito escassa. É necessário aproximar este valor de referência aos valores de mercado. Na nossa opinião existe falta de transparência nos concursos. Sugerimos que para cada candidatura selecionada seja dada a conhecer a tipologia, o valor da renda e o apoio concedido”, explicou Filipe Campos, economista da Deco.

Para o próximo ano as regras serão diferentes. Espera-se que o Porta 65 seja atualizado conforme o aumento das rendas. Em 2017, foram atribuídos 12,8 milhões de euros para os investimentos e apoios. Em 2018, o valor deve chegar aos 18 milhões. O projeto completou 10 anos e já contemplou 80 mil jovens no país.

A próxima fase de candidaturas ao Porta 65 abre no mês de dezembro.

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