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Bruxelas teme bolha em imobiliário português

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European commission building; Brussels - Belgium; argb color spacesee other similar images:

Um estudo divulgado ontem, 17, pela Comissão Europeia (CE) mostrou que o valor do mercado imobiliário em Portugal cresceu 7,1% em 2016. Com o aumento, os preços do setor subiram em média 6%, o limite a partir do qual a União Europeia (UE) considera para recear um desequilíbrio na economia. Os dados causaram desconforto em Bruxelas.

De acordo com o Jornal de Negócios, este tipo de inflação, apesar de pequena, é um dos indicadores principais do acúmulo de desequilíbrios internos dos mecanismos da UE para coordenar as políticas europeias. São seis os indicadores internos e cinco os externos, para cada um há um limite onde a evolução das variáveis pode ser analisada de forma quantitativa. Os resultados ajudam a identificar possíveis riscos para os setores e a economia.

O sobe e desce do mercado imobiliário já se fez sentir nos bolsos dos portugueses. “Os preços estão perto de onde estavam quando rebentou a crise, o que não pode deixar de ser uma boa notícia para os proprietários, que vêem a sua riqueza aumentar. O outro lado da moeda é o custo mais elevado para quem quer comprar casa, nomeadamente em certas zonas de Lisboa e Porto, que por via da febre do alojamento local se tornaram sonhos impossíveis para a esmagadora maioria dos portugueses. É a lei da oferta e da procura a funcionar. Uns ganham, outros perdem”, escreveu Tiago Freire, no Jornal de Negócios.

O risco de uma bolha imobiliária é uma das principais preocupações. No início do ano, Bruxelas chegou a analisar com mais detalhes a situação económica nacional, entretanto as informações não eram suficientes para prever o cenário atual. Na época, os economistas da CE concentraram-se nas elevadas dívidas pública e privada, na taxa de desemprego e na baixa competitividade, indicadores que estavam em situação alarmante.

Por comta do novo resultado, a Comissão deve atualizar a análise e as novas previsões lançadas para maio. Os dados do primeiro trimestre e as novas versões do Programa de Estabilidade e do Plano Nacional de Reformas, apresentados pelo Governo em abril já precisam de revisão também. Após todas as análises é que Bruxelas deve intervir com novas recomendações à Portugal.

“É aqui que entra a importância das políticas públicas, que sem pretenderem obrigar os privados a fazer isto ou aquilo devem dar-lhes os incentivos que os levem a fazer escolhas colectivamente mais saudáveis”, destacou Freire. O setor está em recuperação, mas esta posição não é exclusiva de cá. O país está, no entanto, num dos lugares cimeiros do ranking da Zona Euro. A subida do último ano foi a quarta maior, sendo apenas superada por Malta (9,2%), Letónia (8,8%) e Áustria (8,5%).

Os últimos três anos é que tiveram a maior valorização do mercado imobiliário, cerca de 15%. Os preços de agora já se assemelham aos de 2008, o ano em que se verificou o grande pico desde o início do século.

Se houver mesmo uma bolha no mercado imobiliário, como teme a CE, o país sofrerá mais perdas de riqueza, o que leva a um aumento da pobreza, do desemprego e prejudica o balanço os bancos que têm muito imobiliário e crédito associado. O problema é que a possibilidade tem efeito controverso e acaba por incentivar o consumo e o investimento.

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