SIR
Notícias

Casas estão a ser declaradas 8% abaixo do valor do SIR

O preço do metro quadrado oferecido pelas imobiliárias é mais caro que o declarado no Sistema de Informação Residencial (SIR). A informação foi divulgada pelo Público, após dados publicados no Instituto Nacional de Estatística (INE).

Em algumas freguesias de Lisboa, a diferença já chega aos 8%. “Há casos em que a divergência chega aos 550 euros por metro quadrado. O que está na base desta disparidade?”, questionou o jornal ao fazer a leitura dos números. O valor mediado das vendas declaradas no SIR chamou a atenção dos jornalistas ao consultarem portais online das imobiliárias.

Em conjunto com o Confidencial Imobiliário, o Público apurou que o valor mediano do metro quadrado de um apartamento em Belém, no segundo trimestre de 2017, foi de 2.967 euros no SIR. A diferença chega a 557 euros. Se o apartamento tiver 100 metros quadrados, será 55.700 euros.

Entre as freguesias de Lisboa com maior disparidade, estão Belém, Olivais, Campolide, Benfica e Arroios. Apenas no Parque das Nações a divergência é 1%. No Porto, as regiões de Cedofeita e Santo Ildefonso a diferença é ainda maior.

O INE calcula o metro quadrado em 1460 euros, enquanto que o SIR aponta 1855 na mesma zona. São 20% de diferença. O mesmo ocorreu no Aldoar, Foz e Nevogilde. O que o Público observou é que alguns valores estão mais divergentes no Porto, por causa dos recentes aumentos de preço das casas.

Como justificar casas declaradas no SIR?

O jornal buscou o Observatório de Economia e Gestão de Fraude (OBEGEF) para entender porque o valor declarado no ato da compra é inferior ao efetivamente contratado.

Óscar Afonso, vice-presidente do OBEGEF, disse que: “Suponho que o preço por metro quadrado de uma habitação numa determinada zona divulgado pelo site Confidencial Imobiliário diz respeito ao preço publicitado pelas imobiliárias. Enquanto o preço divulgado pelo INE diz respeito à resultante de contratos ou transações efetivas. O diferencial positivo entre o primeiro e o segundo deverá assentar em dois factos. Primeiro, a negociação entre vendedor e comprador. Depois, os valores pagos fora do contrato para evitar pagamento de impostos e contribuições.”

O economista é responsável pelo Índice da Economia Paralela, em Portugal, que se situou em 27% do Produto Interno Bruto em 2015. Para ele, os indicadores são fundamentais para perceber o real comportamento do mercado.

Os dados publicados pelo INE resultam de fontes oficiais, nomeadamente fiscais, obtidos junto da Autoridade Tributária e Aduaneira (AT). E o SIR é uma base de dados, que começou a ser construída em 2005, e é usada por instituições como o Banco de Portugal ou o Banco Central Europeu.

Há ainda mais um fator a ter em conta sobre o universo das transações. Algumas muitas são feitas à margem das mediadoras imobiliárias.

Adicionar comentário

Clique aqui para comentar

Your email address will not be published. Required fields are marked *