Investimento

Comprar ou arrendar: qual a melhor opção?

A questão não é nova em Portugal mas tem vindo a ganhar mais peso. Depois de anos em que os bancos facilitavam o crédito à habitação, a crise financeira trouxe restrições que deixou muitos portugueses sem acesso a empréstimos e contribuiu para um novo fôlego no mercado do arrendamento. Com a procura subiu também o preço das rendas, voltando a colocar na mesa a pergunta sobre qual a opção mais compensadora.

A resposta definitiva dependerá, certamente, das circunstâncias específicas de cada um, mas há uma lista de prós e contras que devem ser avaliados em cada caso.

Primeiro a questão do preço. Nos últimos meses têm-se multiplicado as queixas sobre o valor das rendas, principalmente em Lisboa e no Porto. Mas do lado da venda, os preços também não estão mais baixos, culpa da forte procura e da menor construção de habitação nova.

De acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o preço médio para a compra de casa em Lisboa situa-se nos 2581 euros por metro quadrado, no Porto atinge os 1379 euros e a média nacional é de 930 euros.

No lado das rendas, a média ronda os 962 euros mensais em Lisboa e os 677 euros no Porto.

Custos

Quem compra casa, normalmente, recorre a um empréstimo bancário, ficando com a obrigação de pagar uma prestação mensal, quase como uma renda.

Além disso, os bancos deixaram de conceder créditos pelo montante total da aquisição, pelo que o comprador deverá ter um pé-de-meia de pelo menos 20 por cento do valor da habitação.

A isto juntam-se vários outros custos que têm de ser suportados pelo comprador – escritura, comissões pelo processo bancário e impostos.

Quem opta pelo arrendamento também necessita de algum dinheiro para a celebração do contrato, uma vez que a maioria dos senhorios exige uma caução e alguns meses de renda por adiantado.

Documentação

Além do preço, é necessário avaliar a quantidade de documentos necessários para ambas as operações. Além dos documentos de identificação básicos exigidos em ambos os casos, os bancos pedem vários outros documentos relativos à casa que vai ser adquirida e a quem compra, como a declaração de IRS e recibos de vencimento.

Dois documentos que também podem ser solicitados pelos senhorios antes do arrendamento de modo a aferirem que o potencial inquilino tem rendimento bastante para suportar a renda durante toda a vigência do contrato.

Encargos

No caso do arrendamento, o único encargo do inquilino é o pagamento da renda mensal, exceto, claro, se tiver acordado outras condições no contrato celebrado com o senhorio.

Já quem compra casa não pode esquecer que à prestação mensal a pagar ao banco terá outras despesas. Aqui incluem-se as quotas do condomínio, o seguro da casa e o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI).

Mudança

Quem compra casa e necessita de mudar de região por questões profissionais, por exemplo, pode esperar um processo mais demorado, já que terá de encontrar comprador para a casa e passar por todos os trâmites da venda.

A vantagem é que ao vender pode obter um lucro na operação, uma vez que os imóveis têm tendência a valorizar ao longo dos anos.

Em contrapartida, pode optar por arrendar o imóvel – com o acordo do banco, caso tenha um crédito à habitação – e obter um rendimento extra.

Já no arrendamento, basta avisar o senhorio com antecedência de que pretende cessar o contrato.

Obras

Quem arrenda tem de pedir autorização ao senhorio para realizar alguma alteração ao imóvel, mesmo que seja mudar as cores das paredes. A par disto, quando os imóveis precisam de melhorias é preciso esperar que o proprietário as faça.

No caso da aquisição, o proprietário pode fazer obras sempre que quiser, desde que cumpra os requisitos legais.

Propriedade

A questão mais determinante no momento de optar pela compra ou pelo arrendamento é, habitualmente, a propriedade.

Quem compra casa sabe que o imóvel é seu. Mesmo que tenha recorrido ao crédito, um dia este acaba de ser pago e a habitação passa para as suas mães sem mais encargos mensais, além das contas básicas de água, luz, etc.

Uma garantia que quem opta pelo arrendamento não tem. Mesmo num arrendamento de longa duração, um dia o senhorio pode dar por terminado o contrato e mesmo que isto não aconteça terá sempre a obrigação de pagar a renda, sem que a casa chegue a ser sua.

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