Notícias

DBRS apreensiva com preços das casas em Portugal

A habitação em Portugal corre o risco de atravessar um período de insustentabilidade. Este é o aviso da agência de rating canadiana DBRS, com base no elevado preço das casas para venda em Portugal. O comunicado foi divulgado no final do mês de maio, numa nota sobre o sistema financeiro português. Preços exorbitantes, tanto para comprar casa como para arrendar, têm levado o governo a propor diversas tentativas para solucionar o problema.

Apesar de considerar a situação financeira do país como estável, a agência canadiana DBRS (que permitiu o financiamento de Portugal junto do Banco Central Europeu durante o período da crise) considera que “fortes aumentos nos preços das casas, se demasiado prolongados no tempo, podem gerar preocupação e consequentemente criar um problema de sustentabilidade”.

De acordo com o comunicado, desde o primeiro trimestre de 2015, o preço das casas já cresceu um total de 25% e que, só no segundo semestre do ano passado, o aumento chegou a atingir 10%.

A DBRS tem por base dados do Banco de Portugal quando se refere a um aumento dos preços das casas em todo o país, mas que apenas em regiões específicas – Lisboa, Porto e Algarve – a evolução é mais acentuada. “Nestes mercados, a subida do preço das casas tem sido conduzida pela forte procura externa, pela atividade ligada ao turismo devido à reduzida oferta de casas, e não por uma rápida expansão do crédito total”, explica a agência.

Especulação e “bolha”

Perante o atual cenário de difícil acesso à habitação, muitos profissionais do setor teme que se esteja a alimentar uma “bolha” que irá inevitavelmente rebentar, mais tarde ou mais cedo. Porém, as duas maiores cidades metropolitanas do país são as regiões onde a “bolha” parece estar a insuflar.

Luís Lima, presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), lembra que existem muitas assimetrias de norte a sul do país. “Há um problema, que está identificado e que se foca nas zonas mais premium das principais cidades, mas a única forma de o resolver é através da renovação de stock”, revelou em entrevista ao jornal SOL.

Por sua vez, Reis Campos, presidente da Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI), acredita que a bolha imobiliária está associada a Lisboa e ao Porto, mas considera que isso não reflete a realidade do país. «É certo que, sobretudo em determinados espaços das nossas principais cidades, tem havido uma evolução muito rápida, que alia uma maior procura por parte dos investidores a preços que estavam muito desfasados da realidade, já que muitos destes espaços nobres estavam abandonados e degradado», refere.

Quanto à especulação imobiliária, foi rejeitada pelos responsáveis do setor. “O que há é um mercado a funcionar normalmente, regido pelas leis da oferta e da procura,” garante Luís Lima, acrescentando ainda que “a ausência de ativos no mercado, sobretudo nas principais cidades, faz com que os preços subam, em determinadas zonas de Lisboa, do Porto e do Algarve,” mas recordam que o país deve ser visto como um todo e não apenas através destas regiões.

 

Adicionar comentário

Clique aqui para comentar

Your email address will not be published. Required fields are marked *