Notícias

Bancos duplicam irregularidades no crédito

crédito

No segmento do crédito ao consumo, o Banco de Portugal detectou 755 irregularidades praticadas pela banca em 2016. O valor duplicou em relação ao ano anterior, 2015, e os processos de dívida também dispararam. O supervisor responsável pela auditoria emitiu 1.020 recomendações quanto às práticas da banca, o que significa que o sector do crédito ao consumo concentrou praticamente três quartos das irregularidades.

As informações foram noticiadas pelo Público e pelo Jornal de Negócios na última semana, que publicaram trechos na íntegra do relatório de Supervisão Comportamental de 2016. “Este aumento é explicado pela prioridade dada nas acções de inspecção do Banco de Portugal em 2016 ao crédito aos consumidores”, lê-se no documento.

Destacou-se ainda que 93% de todas as recomendações teve “origem em acções de inspecção, destacando-se, pela sua importância, a emissão de recomendações e determinações específicas relacionadas com a prestação de informação contratual”. E ainda que metade das 755 anormalidades encontradas, cerca de 375 em 50 instituições bancárias, eram relativas a falhas de informação contratual.

Os regimes de juros de mora representam um total de 125 irregularidades no relatório, sendo que 84 deles referem-se às taxas máximas e 36 são sobre a informação pré-contratual. Quase 60 bancos tinham falhas neste tipo de acção.

De 718.479 processos abertos no âmbito do Procedimento Extrajudicial de Regularização de Situações de Incumprimento (PERSI), 84,7% são de crédito ao consumo. Apenas 15,3% responde ao crédito à habitação. Entretanto, a esmagadora maioria do montante total em dívida, mais de 80%, concentra-se em processos ligados ao setor da habitação.

A investigação sinalizou um aumento do incumprimento do pagamento deste tipo de crédito. O número de devedores subiu 5,2% em consumo, tendo diminuído 10% no caso do empréstimo para compra de residência. As piores dívidas registadas foram de cartões de crédito, um total de 57% doas processos abertos sobre a prática de revolving (de renovação automática e taxas de juro próximas dos 20%). Se comparado à 2015, vê-se um aumento de 51,4%.

O Jornal de Negócios destacou que apesar dos números, o Banco de Portugal reduziu o número de contraordenações face a 2015, de 215 para 155.

Adicionar comentário

Clique aqui para comentar

Your email address will not be published. Required fields are marked *