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Lisboa: de “cidade de joelhos” à “capital do cool”

A capital portuguesa mereceu rasgados elogios num artigo publicado no passado domingo na publicação The Observer, que pertence ao grupo The Guardian. Citando várias personalidades, o jornalista Rowan Moore garante que quem visitar Lisboa agora fica com vontade de não sair desta cidade que descreve como a “capital do cool” após anos em que só se ouvia falar da crise que afetava o país.

“Em Lisboa, as pessoas não param de me falar no surf. É excelente. As praias estão a 20 minutos do bonito, histórico e animado centro de Lisboa, escreve Moore, que passou recentemente pela cidade, sublinhando que a capital lusa está a tornar-se “um extraordinário exemplo daquilo a que podemos chamar o urbanismo Monocle”, uma referência à revista sobre estilo de vida urbano que recentemente dedicou várias a Lisboa.

O jornalista lembra que até há pouco, as únicas notícias que vinham de Lisboa falavam apenas das dificuldades provocadas pela “pior crise dos últimos 100 anos”. “Da última vez que aqui estive, em 2013, Lisboa parecia uma cidade de joelhos, agora há uma melhoria psicológica”, escreve Moore e cita Mariana Pestana, organizadora da trienal de arquitetura da cidade: “as pessoas começam a sonhar novamente e a consumir”.

No artigo, Rowan Moor conta o caso do empresário norte-americano Patrick Tigue, fundador da empresa Downtown Ecommerce, que tinha a sua base na Costa Rica mas, quando a empresa começou a crescer, achou que tinha que mudar para outro país. “Precisava de ter acesso a pessoas que falassem inglês, um custo de vida baixo, ordenados baixos e um fuso horário conveniente”. Esteve indeciso entre Berlim e Barcelona, mas o estilo de vida da capital portuguesa acabou por o convencer.

“Em Lisboa as pessoas são incríveis. Há sempre algum tipo de música ou de manifestação artística a acontecer. A comida é incrível, a arquitetura… É uma grande pequena cidade. […] Gostava de ficar por aqui muito tempo, de ter filhos aqui. Estou totalmente convencido”, diz Tigue.

O jornalista britânico conta vários casos de sucesso de estrangeiros que se estabeleceram na capital e de negócios que cresceram em tempos de crise, mas não esquece que o crescimento é acompanhado por críticas e dificuldades e interroga: “estará o governo socialista, na sua pressa de revitalização, a deixar para trás os pobres de Lisboa?”.

O artigo deixa ainda um apelo: “uma cidade rica em coisas subtis, graciosas e bem-feitas, da comida, aos objetos e aos edifícios não pode deixar-se inundar por produtos indiferenciados, de marcas que existem por todo o lado”.

“O que seria verdadeiramente inteligente para Lisboa seria fazer melhor do que outras cidades que passaram por um processo semelhante no passado: alcançar a vitalidade ao mesmo tempo que nutre tudo aquilo que tornou a cidade tão atrativa em primeiro lugar”, remata o artigo, que pode ser lido na página do The Guardian.

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