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Menezes Leitão: “É erro pensar que fim do alojamento local traz arrendamento.”

O presidente da Associação Lisbonense de Proprietários (ALP), Luís Menezes Leitão, tem aparecido com frequência nos noticiários. Há alguns dias atrás, fez chegar ao governo um pacote de emergência em prol do arrendamento. Em entrevista ao Dinheiro Vivo, declarou: “É erro pensar que fim do alojamento local traz arrendamento.”

Tanto Lisboa, como o Porto, têm enfrentado inúmeras crises no mercado imobiliário. O aumento do turismo repentino de 2015 para cá e a baixa oferta de novos fogos tornou o arrendamento um negócio difícil. Os preços subiram e a construção civil não acompanhou o progresso.

Muitos apontam o dedo para o alojamento local, como o responsável pelo problema. Entretanto, Menezes Leitão acredita que esse não seja o vilão. Tampouco pensa que o crescimento do turismo possa significar algo negativo para o mercado português.

O presidente da ALP culpa o governo por medidas adotadas contra os proprietários. Ele afirma que essa administração problematizou o mercado dos arrendamentos, especialmente em Lisboa. Recentemente foi criada uma Secretaria de Estado da Habitação com o intuito de fazer melhorias no setor.

“A Secretaria de Estado aparece como um exercício de má consciência para dizer ‘depois de tudo, agora vamos mostrar que estamos preocupados’”, ironizou Menezes Leitão ao Dinheiro Vivo. “Vem muito tarde e não vemos que possa reverter as situações que têm sido criadas. Porque tudo o que se tem passado tem sido da competência do Parlamento onde aparecem sucessivas iniciativas, algumas delas até desgarradas do próprio grupo parlamentar”, completou.

O autarca explica que o congelamento das rendas não é uma medida saudável para a habitação. “O mercado de arrendamento passou de 1.085.000 contratos em 1981 para cerca de 550 mil em 1991. Em dez anos perdeu mais de metade. Quando começou a atenuar-se o congelamento das rendas, a partir dos anos 1990, começou a subir. Lentamente, mas atingiu 700 mil contratos”, lembrou.

Com tantas quebras e mudanças propostas pelo governo, os proprietários acabam por recuar e criar desconfiança. “Teme-se o risco político. As pessoas estão escaldadas e não perderam o trauma em relação a iniciativas que foram tomadas”, salientou Menezes Leitão. Além disso, ele ressaltou os custos fiscais dos proprietários, cada vez mais altos.

“Só em IRS mais de um terço do ano é perdido a favor do Estado, é preciso pagar o Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), agora acrescentou-se o adicional ao IMI, um fator que sempre dissemos que iria fazer disparar as rendas… Qual é a ordem dessas subidas?”, questionou o presidente da ALP.

Para ele, a melhor forma de baixar as rendas é devolver a confiança ao mercado. Desta forma, inquilinos e senhorios ficarão satisfeitos.

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