Investimento

Novo panorama no crédito à habitação

O mercado imobiliário está a atravessar um período de grande dinamismo e os bancos não querem perder os lucros gerados pelo crédito à habitação, motivo pelo qual têm vindo a aumentar o número de empréstimos concedidos e a mudar as regras de acesso ao dinheiro.

De acordo com uma resenha realizada pelo Jornal de Negócios, os spreads do crédito à habitação voltaram a descer para menos de 2%, apesar de as taxas de juros se manterem em valores mínimos, e a banca já empresta mais de 80% do valor da avaliação que faz ao imóvel.

Atualmente, segundo o diário, os spreads bancários fixam-se numa média de 1,49%, bastante abaixo da média de 2,78% registada no início de 2015.

Euribor a 12 meses é a preferida

Além de baixarem a margem nos empréstimos para a compra de casa, as instituições financeiras também mudaram o indexante dos juros neste tipo de crédito. Se até há pouco tempo o mais utilizado era a Euribor a seis meses, agora a banca prefere optar pelo prazo mais longo dos 12 meses.

Entre os 10 principais bancos a operar no mercado português, nove apenas têm esta opção nos seus preçários, de acordo com o económico.

Em diversos casos, as entidades bancárias aliciam, mesmo, os agregados familiares a optarem pela taxa fixa. Uma medida que lhe permite cobrar juros mais altos, de acordo com as explicações do economista Filipe Garcia ao Jornal de Negócios. Nos novos contratos de crédito à habitação celebrados no ano passado, a utilização da taxa fixa mais do que duplicou em comparação com 2015, segundo os dados do Banco de Portugal.

O economista da IMF citado pelo Negócios garante que esta é uma tendência que veio para ficar.

Banca empresta mais

Indicador claro de que o mercado está em franca recuperação é o facto de desde o princípio do ano já terem sido concedidos empréstimos num valor superior a três mil milhões de euros. Valor que é o mais elevado desde o final de 2010, apesar de no ano passado já se ter verificado uma melhoria.

“Em 2016, foram celebrados 57 912 contratos de crédito à habitação num total de 5,5 mil milhões de euros. O número de novos contratos e o montante de crédito concedido aumentaram, respetivamente, 34,2% e 39,6% em 2016, depois de terem registado crescimentos de 51% e 65% em 2015”, lê-se no último Relatório de Acompanhamento dos Mercados Bancários de Retalho divulgado pelo Banco de Portugal.

Além disso, e conforme já noticiado no Portal do Arrendamento, as instituições financeiras voltaram a emprestar mais de 80% da avaliação bancária dos imóveis. Uma percentagem que fica aquém dos 100% emprestados antes da crise, mas que ultrapassa os menos de 64% emprestados em dezembro de 2013.

Para Filipe Garcia este não é, necessariamente, um indicador positivo já que acarreta riscos. “Para o mercado imobiliário, pode acelerar a alta de preços, havendo o risco de gerar algumas bolhas nas localizações mais procuradas”, refere o economista numa entrevista ao Jornal de Negócios.

Oferta não acompanha a procura

Outro risco para o mercado imobiliário é o da oferta de imóveis não estar a acompanhar a procura, uma vez que a construção parece não estar a acompanhar o ritmo, fazendo disparar os preços das casas.

De acordo com os números citados pelo diário, oito em cada 10 imóveis vendidos desde o início do ano são usados, sendo que só nos primeiros três meses do ano venderam-se 35.178 imóveis, o valor mais elevado desde 2009.

Reembolsos estão a aumentar

Outro dado interessante no mercado é o aumento nos reembolso de crédito à habitação sem que seja celebrado um novo contrato de empréstimo, resultado, talvez, da crise que viu muitas famílias reaprenderem a poupar e a recorrer menos ao crédito.

De acordo com o relatório do Banco de Portugal, o montante de novas contratações foi superado pelos reembolsos antecipados e pelos vencimentos, resultando numa redução do valor global da carteira de crédito à habitação, de 90,5 mil milhões de euros, no final de 2015, para 88,4 mil milhões de euros, no final de 2016.

No ano passado, foram realizados reembolsos antecipados em contratos de crédito à habitação no montante de 3,2 mil milhões de euros, mais 45,4% do que no ano anterior, revela o regulador.

Outros créditos

Além da compra de casa, os bancos também estão a emprestar mais dinheiro para outros fins. Os dados do banco central revelam que o “montante de novo crédito aos consumidores aumentou 17,5%, prosseguindo o crescimento observado desde 2013 e ultrapassando os valores de 2010”.

Em 2016, a banca concedeu, em média, 497,4 milhões de euros e celebrou 119,5 mil novos contratos por mês. Deste valor, a maior fatia (27,1%) destinou-se à compra de automóvel.

O Banco de Portugal adiantou, ainda que a subida do montante de crédito concedido foi acompanhado de uma diminuição do custo do crédito. No último trimestre de 2016, a taxa anual de encargos efetiva global (TAEG) média do mercado fixou-se em 11,3% por cento, menos 0,6 pontos percentuais do que no período homólogo de 2015.

 

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