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Rendas das casas em Lisboa e Porto nunca cresceram tanto

Arrendar-casa

Em um mercado em que a procura anda muito maior do que a oferta, os senhorios acabam por arranjar casas aos muitos turistas, cada vez mais frequentes, das piores formas. Publicado neste último sábado, um artigo sobre o aumento desenfreado das rendas no jornal Expresso gerou polémica e revolta no mercado imobiliário.

A alteração à Lei das Rendas determinada pela troika pôs fim aos arrendamentos por tempo indeterminado, levando a que a maioria dos senhorios aceitem apenas contratos de curta duração. Isto causou o despejo de muitas famílias em regiões centrais das cidades mais cobiçadas do país.

O Expresso chama a atenção para a história dos moradores do nº 25 da Rua dos Lagares, na Mouraria, em Lisboa. Eles foram notificados para deixarem suas casas nos próximos meses, assim que os contratos findarem. No local, será feito um hostel com foco no turismo jovem.

Só no último trimestre de 2016, as rendas subiram 14,6%, de acordo com o Boletim da Confidencial Imobiliário. Apesar disso, a qualidade dos arrendamentos não sofreu alterações. António Machado, secretário-geral da Associação dos Inquilinos Lisbonenses, disse: “uma pessoa que precise de arrendar casa neste momento está completamente vulnerável”, tendo acrescentado que “o preço é elevadíssimo e não há qualquer garantia de futuro, o que cria uma enorme instabilidade”.

 

Portugal: país de proprietários

Histórica e culturalmente, o país tem uma forte propensão para a aquisição de habitação própria. Por isso, segundo dados de 2016 da consultora Commercial Real Estate Services (CBRE), Portugal é o segundo país do mundo com a maior taxa de proprietários de imóveis, que atinge praticamente os 75%, sendo ultrapassado apenas pela Espanha.

Entretanto, a mesma pesquisa mostra que as novas gerações de portugueses prezam pela mobilidade e por isso compram menos, arrendam mais. Com o boom do Alojamento Local (AL), desde 2014, os preços flutuaram. A compra de casas atualmente também já não é popular. Cada vez mais se afigura difícil, já que as condições para concessão de crédito se encontram muito exigentes e as instituições bancárias não emprestam mais de 80% do valor da avaliação.

O diretor-geral da ERA Portugal, Miguel Poisson confirmou a tendência na semana anterior em outro artigo do Expresso: “Quanto maior o interesse dos investidores em AL, mais difícil se torna arrendar casa para habitação permanente. Um T2 em Lisboa que se arrendava normalmente por €800 ao mês, está agora nos €1200, sobretudo se o contrato de arrendamento tiver uma cláusula que autorize o subarrendamento”, revela. Daí que a oferta para arrendamento tradicional seja cada vez mais escassa.

 

O problema está em todo o lado

O fenómeno não está apenas nas cidades universitárias ou turísticas, como Lisboa e Porto. No interior também se passa uma certa dificuldade para arrendar casa. O Fundão tem sido um grande exemplo, pois é uma região de crescimento de investimento. Évora, Aveiro, Coimbra, Braga, Leiria, Santarém, Faro, Portimão e Albufeira também estão saturadas e não respondem a todas as solicitações.

Já nas zonas históricas da capital, a pressão do turismo se faz sentir fortemente. José Mendes, secretário de Estado do Ambiente, responsável pelo setor, vê a situação como um resultado das regras de mercado. Todavia afirmou ao jornal: “o Governo já aumentou a base de incidência do rendimento presumido de 15 por cento para 35 por cento. É preciso impedir que estas se transformem numa Disneylândia.”

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