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Ricardo Robles: “CML transformou-se numa agência imobiliária”

Na manhã desta segunda-feira, Ricardo Robles, candidato do Bloco de Esquerda (BE) à Câmara Municipal de Lisboa (CML), deu entrevista exclusiva à Rádio Renascença. O deputado criticou a administração actual, Fernando Medina, do Partido Socialista (PS).

Nos últimos dez anos, a autarquia foi de governação do PS em maioria absoluta. De acordo com Ricardo Robles, Medina e seus antecessores falharam com a habitação e os transportes.

“Lisboa melhorou em alguns aspectos, mas aquilo que é mais importante na vida das pessoas, a habitação e os transportes, ficou tudo por fazer. Os programas eleitorais do PS de 2007, 2009 e 2013 todos diziam o que diz agora o candidato Fernando Medina, ‘desta vez é que é’, ‘desta vez é que vamos tratar da habitação’, ‘desta vez é que vamos tratar do problema das creches’, ‘desta vez é que vamos tratar do problema dos transportes, do trânsito infernal, dos transportes públicos’. O problema é que as pessoas percebem que perante uma maioria absoluta, o ‘desta vez é que é’ passou a ser nunca será”, revelou à rádio.

Ao ser questionado mais a fundo sobre os programas habitacionais de Medina, Ricardo Robles respondeu: “Fui ler o programa do PS em 2013, onde Fernando Medina foi eleito número 2, que dizia na página 25 que se iria privilegiar a reabilitação de edifícios para renda acessível com vários programas municipais, entre eles o Reabilita Primeiro Paga Depois. Fui consultar os dados sobre este programa e foram vendidos 100 imóveis entre 2013 e 2015, no valor de 33 milhões de euros, e não há um que seja para renda acessível. A CML transformou-se numa agência imobiliária que contribui para a especulação na cidade, mas que não dá nenhum contributo para resolver o problema da habitação”

Ele garante que o BE está disposto a mudar o cenário, evitando a crise no mercado de arrendamentos. Na última semana, verificou-se que além das zonas históricas de Lisboa, Estrela e Campo de Ourique também tiveram os preços supervalorizados. “O BE estará disponível para assumir todas as suas responsabilidades de acordo com o seu programa e sobretudo garantir que estes problemas que são o da mobilidade, dos transportes, do trânsito e da habitação, são de facto resolvidos. Estamos disponíveis para isso”, destacou.

Sobre a polémica do alojamento local, Ricardo Robles questionou porque a administração socialista não se preocupa com a concentração da actividade em algumas zonas da cidade. “Em Santa Maria Maior, a freguesia do centro histórico, uma em cada cinco casas estão em regime de alojamento local e isto cria uma drenagem de disponibilidade de habitação absolutamente brutal para quem quer viver na cidade e faz subir o preço do arrendamento em flecha como temos assistido”, disse.

A má gestão do turismo

O candidato também tem fortes opiniões sobre o turismo desenfreado em Lisboa. Relativamente à nova lei da taxa turística, ele se mostrou a favor: “isso é uma boa ideia, é uma ideia que pretende compensar a cidade pela pressão do turismo. O problema é que está a ser feito o inverso, esta taxa turística está a ser atribuída a um fundo de desenvolvimento turístico, que é para desenvolver mais turismo e que é gerido pelos hoteleiros e pela associação de restauração.”

No Porto, a implementação da taxa já está a ser planeada para ter retorno no mercado da habitação. Entretanto, na capital isso ainda não acontece. Ricardo Robler quer reverter a taxa de Lisboa para o Metro, investindo em linhas que alcancem Campo de Ourique, Campolide, Alcântara, Ajuda, Belém. “É uma zona que nunca é servida”, justificou.

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