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Taxa fixa no crédito não compensa

Os créditos à habitação com taxa fixa estão a aumentar. Só no primeiro trimestre deste ano, esta opção foi a escolhida para um terço dos empréstimos cedidos pela banca para a compra de casa. Apesar de parecer atrativa, a proposta não é, porém, vantajosa para os clientes. Pelo menos a avaliar pela opinião da Deco.

“As propostas no mercado não são competitivas”, alerta Nuno Rico, economista da Deco Proteste, em declarações ao jornal Expresso, considerando que “a banca virou-se para esta solução para conseguir maior rentabilidade”.

Para persuadir o cliente, o banco argumenta que apesar de atualmente as taxas Euribor estarem em mínimos históricos, esta situação não se vai prolongar por muito mais anos e, quando o Banco Central Europeu (BCE) começar a subir os juros, as prestações vão ficar mais caras nos créditos com taxa de juro variável. A taxa fixa protege-os desse risco.

Além de ouvir o economista, o Expresso comparou o custo para o consumidor de um crédito com taxa de juro fixa a cinco anos, considerando uma taxa de 0,3113% – a média dos valores anunciados nos preçários dos maiores bancos que têm crédito à habitação com taxa fixa a cinco anos – com um crédito com taxa de juro variável.

Taxa média atingida no final do prazo

O semanário concluiu que tem empréstimos já em pagamento indexados à Euribor, por exemplo, a três meses, não vale a pena mudar para a taxa fixa, porque a expetativa do mercado é de que só na primavera de 2021 o valor da Euribor a três meses atinja o valor médio da taxa fixa. Ou seja, quase no final do prazo de cinco anos.

Para quem quer contratar um empréstimo, a única opção de taxa variável disponibilizada pelos bancos é a indexação à Euribor a 12 meses. Não havendo no mercado futuros sobre a Euribor a 12 meses, a comparação torna-se mais difícil, mas o jornal utilizou as estimativas da consultora Informação de Mercados Financeiros para a evolução desta taxa e chegou à conclusão de que a taxa de juro variável continua a ser mais vantajosa para o cliente.

O consumidor pode poupar perto de 539 euros num empréstimo de 100 mil euros a 30 anos com um spread de 1,75 % se optar pela taxa variável. Isto segundo as contas apresentadas pelo Expresso.

Ainda de acordo com o jornal, as opções de taxa fixa disponíveis no mercado apresentam dois problemas. O primeiro decorre de os bancos cobrarem um prémio pela segurança que dão ao cliente com esta taxa. A banca financia-se tendo como referência juros negativos, recorrendo aos swaps de taxa de juro para trocar valores indexados às Euribor por montantes fixos. Mas as taxas fixas que cobram são quase sempre superiores às taxas swap. E a isto é preciso ainda somar o spread cobrado pelo banco ao cliente.

O segundo problema tem origem no facto de o período durante o qual a prestação se mantém constante não abranger a totalidade do prazo do crédito, cuja média é de 30 anos. Entre os cinco maiores bancos em Portugal, só o BPI disponibiliza esse prazo. A CGD permite taxa fixa a 25 anos, o Novo Banco 15 anos, o Millennium bcp 10 anos e o Santander Totta cinco anos. Terminado esse período, passa a ser aplicada a taxa variável indexada à Euribor em vigor nessa data.

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